Por que as montadoras vão precisar de mais satélites na órbita da Terra

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Satélites, como aqueles espalhados pelos céus pela SpaceX de Elon Musk, estão surgindo como uma ferramenta chave para lidar com as enormes quantidades de dados que os carros precisarão para dirigirem-se sozinhos. Veículos autônomos irão gerar até 40 terabites de dados por hora a partir de câmeras, radares e outros sensores — o equivalente ao uso de um iPhone por mais de 3.000 anos — e absorverão quantidades gigantescas de dados para navegar nas estradas, de acordo com o banco Morgan Stanley.

Embora a maioria dos carros novos venha com um modem sob o painel e receba dados através das mesmas torres que servem ao seu celular, a cobertura pode ser irregular — um impedimento para veículos que se auto dirigem. “Apenas 10% a 15% da superfície do ar é coberta por redes de celular”, diz Chris Quilty, fundador da Quilty Analytics, e consultor da indústria espacial. “Conforme se avança em direção aos veículos autônomos e à necessidade de atualizar constantemente as informações e ter uma localização precisa, os satélites se tornam uma tecnologia confiável.”

Mas não é apenas a direção autônoma que deixa os executivos da indústria automotiva interessados ​​em satélites. A receita constante se tornou o santo graal para as montadoras que buscam se libertar do ciclo tradicional de expansão e queda das vendas de veículos. O CEO da Ford Motor Co., Jim Farley, disse que o futuro de sua empresa não depende da venda de carros, mas da venda de um fluxo contínuo de serviços aos proprietários de carros, desde tecnologia de direção sem as mãos até os mais recentes aplicativos de infoentretenimento com tela sensível ao toque. O carro conectado é fundamental para essa estratégia.

“Sempre haverá esses locais sem sinal de celulares onde eu acho que uma opção de satélite pode ser realmente interessante”, diz Bryan Salesky, CEO e cofundador da Argo AI, a startup autônoma apoiada pela Ford e Volkswagen. A montadora chinesa Zhejiang Geely Holding Group está lançando sua própria constelação de satélites, e a Iridium Communications, que há muito envia sinais do espaço para a indústria aérea e militar dos EUA, diz que também está ouvindo as montadoras.

Tal como acontece com os carros elétricos, o CEO da Tesla, Elon Musk, está na vanguarda. Por meio de sua empresa de foguetes, a SpaceX, ele implantou mais de 1.700 satélites que operam em órbita baixa da Terra, ou LEO, que fica a cerca de 350 milhas da superfície do planeta, em comparação com cerca de 36.000 km. dos satélites tradicionais. Essa proximidade relativa permite que os satélites LEO se comuniquem mais rapidamente com pessoas e coisas na Terra, enfrentando a maior desvantagem da comunicação originada no espaço: o atraso do sinal.

Musk pediu aos reguladores permissão para usar sua rede de satélites Starlink para interagir com veículos em movimento no início deste ano. A princípio, esses receptores serão apenas para caminhões ou RVs, (veículos de recreação) porque a antena parabólica – com cerca de 50 cm de largura – é grande demais para carros.

A Tesla transmitiu melhorias de software diretamente para os carros durante anos. Agora, as montadoras tradicionais estão seguindo o exemplo. Alguns softwares serão opcionais, como os sistemas de direção viva-voz que a Ford e a General Motors estão oferecendo, mas algo como um quebra-galho para consertar uma falha na transmissão eletrônica será obrigatório.

“Tivemos muitos interessados em baixar atualizações de software”, disse Mark Dankberg, cofundador da Viasat Inc., fornecedora de banda larga via satélite. “Ao se fazer isso por satélite, pode-se alcançar um número enorme de veículos ao mesmo tempo.”

Mesmo assim, as empresas de satélite devem reduzir o tempo que leva para um sinal viajar do espaço para um carro, que agora é cerca de 50 milissegundos, contra 10 milissegundos para um sinal de celular –  embora Musk diga que a Starlink reduziu seu atraso de sinal para menos de 20 milissegundos. As montadoras também estão avaliando os benefícios de um sistema terrestre como o 5G, que se baseia na tecnologia celular já existente. Os satélites oferecem uma cobertura mais abrangente, mas enfrentam desafios não apenas com a velocidade, mas também com os obstáculos do dia a dia – garagens de estacionamento, por exemplo, nas quais o 5G pode navegar.

“É uma grande corrida chamada Espaço 3.0”, disse Matt Desch, CEO da Iridium Communications, sobre o impulso para comercializar o espaço. “A última coisa que um fabricante de automóveis realmente deseja é fazer uma escolha ruim”.

Fonte: Exame



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