Inflação da carne ressuscita sobras em açougues e atinge até pés de galinha

0


Os seguidos aumentos dos preços das carnes forçaram as famílias de menor poder de compra, em Belo Horizonte, a buscar  cortes que eram desprezados, como alternativa para colocar a proteína à mesa . Pés de galinha, suã e miúdos de porco passaram a fazer parte do cardápio, mas com a demanda maior, nem mesmo esses produtos estão fora  da corrida dos preços. Açougues da capital oferecem também cabeça de peixe para caldos. A nova realidade, que aumenta a pressão sobre o orçamento do consumidor, é o retrato da inflação elevada, segundo levantamento divulgado ontem pelo site de pesquisa de preços Mercado Mineiro.

Na capital mineira, cortes pouco requisitados em outros tempos ganharam vez com o aumento geral do preço das carnes, a exemplo de pés de frango, dorso de frango, recorte de costela suína e cabeça de peixe. A oferta por até R$ 5,99 da cabeça de salmão para moqueca já pode ser vista anunciada em alguns açougues. Contudo, pesquisa de preços já se tornou necessária, diante das variações que o Mercado Mineiro encontrou.

O preço do quilo do pé de frango pode variar de R$ 5,98 a R$ 13,99 em BH e rmegião etropolitana, variação de 134%. A mesma quantidade da asa resfriada pode ser encontrada a custo variando de R$ 12,90 a R$ 23,95, diferença de 85%.  O dorso do animal é encontrado a partir de R$ 6,99.

As vendas de pé de frango cresceram de 40 quilos para 300kg por semana na Casa de Carnes Xavier, no Bairro Santa Efigênia, o que fez com que os preços também acompanhassem a corrida e passassem de R$ 2,99 para R$ 3,55 o quilo, explica o gerente Wanderson Edson Pereira da Silva. Na mesma proporção, as vendas de orelha de porco, asinha e coxa também subiram.

Gerente da Casa de Carnes Balinha, no Bairro Cabana, na Zona Oeste de BH, Fabrício dos Santos Borges, de 42 anos, conta que há quatro anos o quilo do pé de galinha era vendido a R$ 0,50. “Hoje, já está a R$ 8. E começa a encalhar, porque as pessoas estão sem dinheiro”, afirma. Quem comprava filé de peito de frango a R$ 12,90, agora compra coxa a esse preço. O custo do filé já chega a R$ 20 o quilo. O peito com osso no Açougue Balinhas encareceu de R$ 7,99 para R$ 13,99 o quilo.

A preocupação do gerente Fabrício Borges é compartilhada pelo açougueiro Sérgio Linhares dos Santos, de 28, da Casa de Carnes Vereda, instalada no Bairro Vista Alegre. “Os constantes aumentos da carne de boi fizeram os clientes passarem a consumir mais porco e frango. Com os cortes nobres mais caros, as pessoas mudaram para asinha, pé de galinha, miuúdos de porco”, afirma.

O pé de galinha, que custava cerca de R$ 0,60 o quilo e costumava sobrar no açougue, agora é tão demandado que a empresa comercializa 40 quilos por semana e o preço subiu a R$ 5,99 o quilo. “Alguns clientes chegam aqui pedindo doação de ‘muxibinha’ pra misturar com batata. A gente então doa, não dá pra vender”, destaca Sérgio Santos.

Outra carne incluída entre as opção mais baratas nos açougues é a salsicha. Na Região Metropolitana de BH, de acordo com a pesquisa do Mercado Mineiro, o preço do quilo do produto varia de R$ 8,98 a R$ 15, disparidade de 67%. Parte da mesma lista, o recorte de costela suína custa de R$ 8,49 a R$ 9,99, aumento de 18%.

Sem pequisa, consumidor paga até 246% a mais

Cortes da carne de boi como acém, chã de dentro e picanha baratearam em relação a agosto na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas o consumidor tem dificuldade de perceber as quedas, uma vez que o custo da proteína se mantém elevado.

Segundo a pesquisa do site Mercado Mineiro, o preço médio do quilo da picanha caiu 1,44% entre 20 de agosto e a sexta-feira da semana passada. Ainda assim, a carne é encontrada ao preço médio de R$ 59,52, de acordo com levantamento feito em 39 estabelecimentos de BH e entorno, entre os dias 22 e 24 deste mês.

Entre os cortes de carne bovina que encareceram, o maior aumento no período de um mês foi constatado para o filé mignon, de 3,38%. O preço do quilo passou de R$ 56,66 para R$ 58,58. Por sua vez, a carne suína manteve o preço médio de agosto para setembro. Movimento oposto mostrou o frango, que deixa de ser alternativa para o consumidor fugir da alta da carne.

Em um mês, o Mercado Mineiro verificou elevação do preço médio de 6,77% no quilo do frango resfriado, 6% no peito resfriado e 4,19% em coxa e sobrecoxa.

Partes nobres da ave já mostravam grande disparidade de preços e ela continua. É possível encontrar, em BH, o quilo do frango resfriado com variações nas tabelas de 66%, entre R$ 8,99 e R$ 14,95. O filé de peito é oferecido a preços de R$ 14,98 a R$ 25,90,  73% de aumento. Coxa e sobrecoxa custam de R$ 10,99 a R$ 15,95 o quilo, diferença de 45%.

As disparidades de preço para o mesmo produto chamam a atenção em todos os tipos de carne. O quilo da fraldinha, por exemplo, mostra diferença de 203% nos preços na Grande BH, custando de R$ 27,99 a R$ 84,95. Se a opção for o contrafilé, o consumidor pode pagar de R$ 37,99 a R$ 79,95, variação de 110%.

O preço do quilo do acém vai de R$ 26,99 a R$ 39,90, diferença de 48%, enquanto o quilo da chã de fora é encontrado entre R$ 31,99 e R$ 52,90, aumento de 65%. Quanto à carne suína, o quilo da bisteca pode custar de R$ 12,99 a R$ 44,95 em BH, 246,04% a mais.

Fonte: Estado de Minas





Source link

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here