“Todos têm sua parcela de contribuição na minha recuperação”, diz ex-paciente da Unidade de Acolhimento Adulto durante visita à unidade

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Antônio Cavalcante ao lado da coordenadora da UAA, Daiane de Oliveira Costa, durante a visita. (Foto: Ruy Barros)

“Quando eu cheguei na Unidade de Acolhimento Adulto, eles não me mostraram o paraíso, mas me tiraram do inferno”. O depoimento é do advogado Antônio Holanda Cavalcante Neto, de 39 anos, que foi assistido por equipes da unidade, em 2016, devido à dependência química.

Antônio Cavalcante que, após o tratamento da dependência química se formou em Direito e hoje é advogado, retornou, na última sexta-feira (24), à Unidade de Acolhimento Adulto (UAA), equipamento da Secretaria de Estado da Saúde (SES), para agradecer e compartilhar sua trajetória com os pacientes que atualmente estão em tratamento na unidade e seus familiares.

Segundo o advogado, depois de nove anos envolvido com o consumo de crack, ele reconheceu que precisava de ajuda, e como não tinha como pagar por um tratamento, foi a UAA que ofereceu acolhimento. “Se eu fosse definir a minha passagem por aqui em uma palavra, essa palavra seria “gratidão”. Gratidão pelos profissionais, pelas pessoas que estão aqui para ajudar aqueles que precisam, desde o porteiro ao zelador. Todos tiveram e têm sua parcela de contribuição na minha recuperação. São pessoas que estão, em nome do Estado, dispondo daquilo que melhor pode ser oferecido: o amor”, destaca.

Após a sua passagem pela UAA, Antônio Cavalcante deu prosseguimento ao seu tratamento na Fazenda Esperança, na cidade de Coroatá. Depois, fez uma missão fora do país e, quando retornou, iniciou o curso de Direito, reconstruiu a relação com seus pais e construiu uma família. Hoje, casado e com dois filhos, ele comemora sua recente aprovação no Exame da Ordem dos Advogados.

“Hoje, eu deixo aqui a mensagem de que é possível vencer o vício, e para isso é necessário utilizar três palavras: desejo, comprometimento e continuação. Desejar sair do vício, se comprometer a sair e continuar o tratamento. Como sempre digo, eu ainda estou em recuperação diária e todos os dias longe das drogas é uma vitória. Eu não esqueço de onde eu vim, por isso me dedico a incentivar outras pessoas a vencerem as drogas também ”, conclui o ex-paciente.

A história de superação de Antônio foi recebida como um incentivo pelos pacientes acolhidos atualmente na unidade. “Assim como o Antônio, estou aqui para resgatar a minha vida e o convívio com a minha família e poder escrever uma nova história. Eu cheguei na UAA há duas semanas, mas parece que já faz um ano, porque me acolheram muito bem. Aqui, nós somos tratados como seres humanos”, afirma o paciente Luís Fábio Silva, de 41 anos, pai de sete filhos.

Sentimento compartilhado pelo acolhido Paulo Marzon Silva Rodrigues, de 24 anos. “Cheguei ao ponto mais extremo do vício, onde eu não conseguia mais me controlar. Pedi ajuda para minha família e estou em tratamento na UAA. A instituição está me ajudando muito. Aqui, nós temos apoio para a mudança. Ouvir o depoimento do Antônio me incentivou a trilhar o mesmo caminho que ele trilhou. Além de uma inspiração, um exemplo de que sempre é possível recomeçar”, diz o paciente.

A coordenadora da UAA, Daiane de Oliveira Costa, destaca que ações como essa possibilitam mais fé e esperança para os acolhidos na unidade. “O objetivo da atividade foi de dar um gás de motivação para os nossos internos, que muitas vezes chegam aqui desacreditados e com os vínculos familiares rompidos, além da exclusão social. Trouxemos o Antônio Holanda, nosso ex-acolhido, para mostrar aos nossos internos que eles também têm a chance de vencer”, pontua a coordenadora.

Unidade de Acolhimento Adulto (UAA)

A Unidade de Acolhimento Adulto (UAA) faz parte da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) montada pelo Governo do Maranhão. A estadia na UAA dura em média 30 dias, podendo se estender até seis meses, conforme portaria nº 121, de 25 de janeiro de 2012.

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