Produtores de morango adotam sistema de “colha e pague” em Minas

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Um casal de agricultores familiares mineiros apoiado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) implantou o sistema “colha e pague” para os períodos de alta produção dos morangos orgânicos que cultiva. A atividade é desenvolvida em Florestal, Região Metropolitana de Belo Horizonte. A experiência já é bem conhecida em regiões rurais de São Paulo e do Sul do país, mas ainda é pouco explorada em Minas Gerais. Geralmente, o empreendimento está relacionado à fruticultura, principalmente o morango, e ao turismo rural.

Como o próprio nome diz, o sistema permite que o consumidor possa, ele mesmo, apanhar as frutas que vai comprar. Ele recebe uma cesta e uma tesoura, além das orientações de realização da tarefa. Mas o esquema não se resume a isso. No local, o comprador tem o acompanhamento dos agricultores que passam informações relativas à cultura e ao cultivo do morango, tornando a experiência mais informativa, rica e agradável para adultos e crianças, uma atividade que pode ser feita em família.

Além disso, o consumidor também pode saborear os morangos frescos, colhidos do pé, após a pesagem e o pagamento das frutas. Caso contrário, basta levá-los para casa

Apesar do pouco tempo de funcionamento da nova modalidade de comercializar e divulgar o morango produzido, o resultado positivo da empreitada em Florestal surpreendeu e superou as expectativas de Daniela Leonel e Hernane Lucas Barbosa. Eles são os donos do empreendimento agrícola e idealizadores do projeto que teve início no final de junho. Daniela conta que já estava com uma expectativa muito boa, mas o retorno foi além do que esperava.

Divulgação / Emater-MG

“Foi incrível a aceitação das pessoas. Ouvi muitas opiniões do tipo: ‘nossa que energia boa’, ‘que gostoso vir aqui’, ‘uma experiência única’. Os adultos relembravam momentos da infância, a fruta desejada que não podiam comprar, porque não era tão acessível. As crianças, por outro lado, tiveram a oportunidade de colher o moranguinho no pé. Então, teve muita repercussão e propaganda boca a boca”, comemora a agricultora.

Daniela Leonel explica que o sistema não pode ser contínuo, pois obedece a sazonalidade da fruta, cuja produção tem picos e baixas, não permitindo que a atividade aconteça o ano inteiro. “Eu consigo produzir durante os 12 meses, pois a cultivar que plantamos permite. Porém, não vou ter uma produção igual o ano todo. Vão ter períodos de picos e de quedas. Quando tenho muitos morangos, posso oferecer a opção do “colha e pague”. Quando a produção cai, só consigo vender da forma convencional, nos pontos de revendas, ou aqui no nosso espaço, ainda assim, de acordo com a disponibilidade da fruta”, argumenta.

Para participar do “colha e pague”, os interessados devem se inscrever antecipadamente, por meio do perfil do empreendimento no Instagram. “Não cobramos entrada. O visitante paga R$ 29 pelo quilo do morango colhido. Não tem mínimo e nem limite, mas, por enquanto, a gente vai controlando um pouquinho. Disponibilizamos três horários nas sextas-feiras, aos sábados e aos domingos”, informa Daniela Leonel.

Apoio da Emater-MG

Os agricultores são conhecidos de longa data da Emater-MG, empresa vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Em 2013, eles saíram do Rio Grande do Sul e retornaram a Minas Gerais para viver do trabalho no campo. A empresa pública mineira de extensão rural deu as primeiras orientações técnicas ao casal para investir em hortaliças orgânicas e ter acesso ao crédito rural do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O recurso financiou a compra do primeiro carro usado no transporte das hortaliças.

Daniela Leonel lembra que os primeiros atendimentos da Emater-MG foram muito importantes, sendo o cultivo orgânico apresentado por técnicos da empresa. “A gente não tinha noção de como começar e um coordenador mais especializado, nessa área de orgânicos, nos apresentou a opção. Gostamos da ideia, fizemos um curso e decidimos que ia ser por esse caminho”, conta.

As frutas têm certificação SAT (sem agrotóxicos), concedida pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). O plantio é feito em estufas, usando a técnica da semi-hidroponia (suspensas, plantadas em substrato, com fertirrigação para adubar e irrigar). No momento, estão sendo cultivadas 8,2 mil mudas, em estufas, montadas num terreno de 1,5 mil metros quadrados.

Atualmente, a produção é comercializada em Florestal, em supermercados de Pará de Minas, no Mercado do Cruzeiro, em Belo Horizonte, e por meio de delivery para clientes da capital mineira. Além disso, os agricultores já planejam a expansão do negócio, com a criação de mais pontos de vendas em BH.

Minas Gerais

O estado de Minas Gerais é hoje o maior produtor de morangos do país, com volume anual de 139 mil toneladas. A cultura ocupa 2,8 mil hectares de plantio. São 7,8 mil agricultores familiares envolvidos na atividade, segundo a Coordenadoria Estadual de Fruticultura da Emater-MG.





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