Tembici, das bikes ‘laranjinhas’, levanta quase meio bilhão de reais para crescer antes de IPO

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A Tembici, start-up de mobilidade responsável pelas bicicletas “laranjinhas” do Itaú, levantou US$ 80 milhões (mais de R$ 430 milhões) em rodada de investimento liderada pela Crescera — gestora que se chamava Bozano e, até 2018, tinha Paulo Guedes como sócio.

Os recursos serão usados em tecnologia, na expansão da frota — com foco em bikes elétricas — e para levar a operação a outros países da América Latina.

Também participaram do aporte a gestora paulistana PIPO Capital e a americana Endeavor Catalyst, que já investiu por aqui em companhias como Méliuz, Dr. Consulta, Creditas e Olist. Parte do valor foi levantado por meio de “dívida verde” contratada junto ao Santander e ao Itaú, com juros reduzidos graças ao caráter sustentável da Tembici e com cláusulas atreladas à sustentabilidade da operação daqui pra frente.

Bike elétrica

A start-up não informou em quanto foi avaliada com o aporte, que foi o seu terceiro nos últimos três anos. Em 2019, a gestora Joá (hoje Igah), de Luciano Huck, aportou US$ 15 milhões; no ano passado, a companhia levantou US$ 47 milhões em rodada liderada por Valor Capital e Redpoint eventures.

— A rodada do ano passado permitiu que expandíssemos a operação e iniciássemos dois projetos pilotos com 500 bikes elétricas no Rio e outras 500 em São Paulo com o iFood. Com essa tese testada, o novo aporte permitirá que a gente expanda a frota de bikes elétricas e invista mais em tecnologias de Internet das Coisas (IoT) embarcadas nas bicicletas — afirmou à coluna Mauricio Villar, co-fundador e diretor operacional da Tembici.

O plano da companhia é chegar a 26 mil bicicletas até o fim do ano que vem, contra 16 mil hoje. Dentro desse número, o volume de bikes elétricas deve crescer de 1 mil para 6 mil.

A bike elétrica é 30% mais usada que as convencionais, segundo Villar, mas a companhia estima que esse percentual tem potencial para subir a 50%, uma vez que a bike atrai novos perfis de usuário. Diante dessa demanda, o custo operacional 10% maior em relação às bicicletas de pedal é diluído.

Graças a uma tecnologia própria que permite à Tembici, à distância, desligar o motor e acionar o alarme das bikes elétricas, nenhuma das mil que possui foi roubada ou vandalizada até hoje, de acordo com Villar. Enquanto isso, a companhia perde 0,15% da frota de bikes tradicionais todos os meses, percentual que o executivo diz ser equivalente ao de players internacionais.

‘Tesla das bicicletas’

Foi a tecnologia embarcada, juntamente com o caráter ESG (sigla em inglês para boas práticas ambientais, sociais e de governança) do negócio, que atraiu a Crescera. Com o aporte, a companhia quer aumentar a “densidade” de sensores em suas bikes, agregando de termômetros a medidores de poluição, por exemplo.

— Enxergamos a Tembici como uma espécie de Tesla das bicicletas. Mais valiosos que os carros da Tesla são os dados que eles geram. As bicicletas da Tembici estão repletas de sensores que geram dados a todo o momento, e grande parte do seu time trabalha com tecnologia — contou Fernando Wagner da Silva, gestor da Crescera.

A Tembici foi o primeiro investimento do terceiro fundo da gestora, o Crescera Venture Fund III, que terá entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões e fará até 12 investimentos nos próximos quatro anos. O foco são empresas com forte componente tecnológico e que atuem em mercados amplos.

IPO lá fora

A Tembici atua hoje em dez cidades de Brasil, Chile e Argentina. Ela não revela os alvos, mas o plano é entrar em novos mercados latino-americanos a partir do começo do ano que vem. Com receita projetada de R$ 180 milhões este ano, o objetivo da companhia é fazer um IPO nos EUA dentro de dois ou três anos, prevê Villar.

— Estamos vivendo um momento bastante peculiar e favorável pra gente. Estamos praticamente sozinhos na América Latina, e as pessoas estão mudando de hábitos, procurando viver de uma forma diferente, de olha no fim da pandemia. Nossa receita já está 50% acima do que era antes do coronavírus — observa o executivo.

Fonte: O Globo



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