Seminário capacita profissionais de saúde para assistência a adolescentes

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Ideia é propor novas estratégias de prevenção no município

Com o objetivo de ampliar o acolhimento e a assistência precoce para usuários na faixa etária dos 10 aos 19 anos na atenção básica de Maceió, o Programa de Atenção Integral à Saúde do Adolescente reuniu, nessa quinta-feira (30), cerca de 50 profissionais que atuam em áreas diversas nas unidades de saúde do município, para debater os temas do Seminário de Promoção à Saúde Mental na Adolescência, com enfoque na depressão, automutilação e suicídio.

Técnicas do Programa de Atenção à Saúde do Adolescente, Cássia Carvalho e Tereza Paes, fomentaram o debate entre os profissionais. Foto: Ascom SMS

De acordo com a responsável pela área técnica de Atenção Integral à Saúde do Adolescente, Tereza Paes, a ideia é capacitar médicos, psicólogos, assistentes, sociais, enfermeiros e demais profissionais das unidades para ampliar o olhar da atenção básica sobre o público adolescente.

“As ações da atenção básica formuladas pelo Ministério da Saúde são mais voltadas para a criança e o idoso, então, os fatores do adoecimento mental dos adolescentes não têm sido detectados e tratados adequadamente. Esperamos, a partir desse olhar intersetorial, e da interface com outras políticas do município – como a Educação – propor novas estratégias de prevenção”, frisou Tereza.

No primeiro momento do Seminário, o médico e psicólogo João Facchinetti, fez uma abordagem do cenário atual da chamada “Doença do Século”: a depressão. Em sua fala, o Dr. Facchinetti apontou algumas das principais consequências da doença, que é prevista por estudiosos na área como a maior causa de adoecimento da população no mundo até 2030.

Médico e psicólogo João Facchinetti. Foto: Ascom SMS

“Em países em desenvolvimento, como o Brasil, cada ciclo de depressão atinge os indivíduos por um média de 26 semanas, causando um comprometimento ocupacional grave de cerca de 49%. O diagnóstico desses pacientes é exclusivamente clínico, e embora ocorra em qualquer fase da vida, tem tido maior incidência na fase dos 20 anos, o que reforça a necessidade dos profissionais estarem atentos aos sinais e sintomas percebidos ou relatados no atendimento”, salientou o profissional.

No segundo momento do Seminário, a psicóloga clínica Liliana Fábia de Oliveira discorreu sobre os aspectos relacionados à tríade autolesão/depressão/suicídio, demonstrando quais as formas mais adequadas para a abordagem em relação a quem tenta tirar a própria vida.

“Falar sobre esse assunto sempre foi desconfortável, mas precisamos derrubar esse mito, discutindo a questão e cuidando do ‘tentante’ deixando de lado qualquer bagagem pessoal limitante”, afirmou Liliana Fábia.

Liliana Fábia de Oliveira, psicóloga clínica. Foto: Ascom SMS

Segundo a psicóloga, inúmeros desafios se impõem no universo adolescente da atualidade. O isolamento tecnológico, as relações superficiais e o medo do futuro são alguns desses desafios, que se aprofundaram com o advento da pandemia, gerando nos adolescentes uma dificuldade ainda maior de lidar com os próprios sentimentos e frustrações.

“Essa incapacidade de enfrentar a realidade gera uma grande sensação de desamparo que, por não conseguirem falar, os adolescentes colocam pra fora com a automutilação. Para eles, é a eliminação da dor que sentem dentro de si. E quanto maior for o tempo que alguém se autolesiona e não recebe tratamento adequado, maior é o risco disso evoluir para um comportamento suicida”, alertou.

Para a assistente social Cássia Carvalho, técnica do Programa de Atenção à Saúde do Adolescente, esse trabalho precisa da atenção dos profissionais de saúde no acolhimento dos adolescentes, mas também do olhar ampliado sobre as famílias.

“Às vezes, a realidade está mais próxima do que a gente imagina. Por isso, precisamos estar atentos aos sinais, aos pedidos de socorro que eles têm emitem e que passam despercebidos. E junto com eles, trabalhar as famílias, auxiliando a todos no enfrentamento desses problemas”, frisou.

Profissionais participantes do Seminário na SMS. Foto: Ascom SMS

Cássia Oliveira/ Ascom SMS





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