Agora vai? Alemanha se aproxima de coalizão de centro-esquerda; entenda

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Os partidos deram novos passos nesta semana para formar um governo na Alemanha após as eleições de setembro.

O Partido Social-Democrata (SPD), vencedor das eleições, o Partido Verde e o Partido Democrático Liberal (FDP) afirmaram que vão iniciar negociações preliminares na quinta-feira, 7, de modo a tentar formar uma coalizão.

Dez dias após as eleições, as negociações aceleram na Alemanha para evitar os meses de paralisia registrados após as eleições de 2017, quando as discussões pareceram intermináveis. Na ocasião, a conservadora Angela Merkel (que deixa o cargo após quase 16 anos) terminou conseguindo uma nova coalizão com os rivais social-democratas do SPD.

O objetivo desta vez é chegar a um acordo mais rápido. Terceiro mais votado, o Partido Verde anunciou nesta quarta-feira, 6, o desejo de aprofundar o diálogo com o SPD e o FDP.

“Nosso interesse é fazer as coisas avançarem rapidamente”, afirmou a co-presidente do partido Annalena Baerbock. “O país não pode se dar ao luxo de um impasse prolongado”, enquanto uma coalizão é negociada, insistiu.

“As conversas das últimas semanas mostraram que as maiores interseções de conteúdo são possíveis com este esquema (com SPD e FDP), sobretudo, no âmbito da política social”, disse o outro co-presidente do Partido Verde Robert Habeck.

Pouco depois, os liberais anunciaram uma reunião com os social-democratas e os ecologistas para esboçar um futuro governo de “centro progressista”, nas palavras do presidente do FDP, Christian Lindner.

A formação dessa coalizão seria uma vitória para o SPD, que ficou ofuscado durante os governos Merkel e pode retornar ao posto de chanceler pela primeira vez desde Gerhard Schröder, em 2005.

“Os cidadãos nos deram um mandato para colocar em prática um governo juntos”, afirmou o líder do SPD, Olaf Scholz, que será o chanceler caso a coalizão avance.

Negociações difíceis

As negociações, no entanto, devem ser complexas. Os partidos têm divergências em muitos temas, como questões fiscais, por exemplo. Enquanto os liberais são contra o aumento de impostos, o SPD é a favor.

Isso faz com que Lindner, líder do FDP, siga dizendo que uma coalizão com os conservadores da CDU, de Angela Merkel, continue sendo uma “opção viável”. O problema para uma coalizão CDU-FDP é que precisariam convencer também os Verdes, mais à esquerda.

Os conservadores da CDU, que ficaram em segundo lugar nas eleições e são liderados pelo impopular Armin Laschet, não desistiram de tentar formar um governo com os liberais e os ecologistas. Esta é a única maneira de conseguir permanecer na chancelaria após os 16 anos da era Merkel.

Seja qual for a coalizão que avance, esta deve ser a primeira coalizão com três partidos em décadas, o que dificulta as negociações.

O Bundestag, Parlamento alemão, já foi polarizado entre os dois maiores partidos (SDP à esquerda e CDU à direita), o que garantia a chancelaria ao vencedor das eleições. Com a fragmentação nos últimos anos, as alianças têm ficado mais difíceis, o que levou a própria Merkel a precisar se aliar ao rival SPD em três de seus quatro mandatos.

Conservadores admitem dificuldade

Nesta quarta-feira, Laschet, um ex-jornalista de 60 anos, disse respeitar a decisão dos Verdes e do FDP de optar por negociações com o SPD. Disse, porém, que está “disposto” a dialogar com os dois partidos.

Uma pesquisa do instituto Forsa mostra que a maioria dos alemães (53%) quer uma coalizão SPD, Verdes e FDP. E 74% dos entrevistados consideram que CDU/CSU devem ir para a oposição.

Alguns pesos pesados da CDU, como o ministro da Economia, Peter Altmaier, parecem admitir a situação. “Pela primeira vez em 41 anos, o FDP e o SPD (e os Verdes) falam seriamente de uma coalizão”, tuitou o ministro, próximo a Angela Merkel.

“O trem do ‘semáforo’ acaba de sair da estação”, completou, em referência às cores dos partidos de uma aliança SPD-FDP-Verdes.

Altmaier disse que a CDU (e seu partido irmão, a CSU) deve “mostrar que aprendeu a lição” de 26 de setembro, depois que os conservadores receberam menos de 30% dos votos. Foi o pior resultado dos conservadores na história.

Fonte: Exame



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