É #FAKE mensagem que relaciona queda de avião de Marília Mendonça a mal súbito do piloto por vacina

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Circula pelas redes sociais uma mensagem que sugere que o piloto do avião da cantora Marília Mendonça sofreu um mal súbito em razão de ter tomado dias antes a vacina contra a Covid-19. É #FAKE.

A mensagem falsa tem se espalhado nas redes sociais e em grupos antivacina.

Marília Mendonça, de 26 anos, e mais quatro pessoas morreram na tarde desta sexta-feira (5) após a queda de um avião de pequeno porte perto de uma cachoeira na serra de Caratinga, interior de Minas Gerais. As causas do acidente ainda são investigadas

Filha do piloto Geraldo Martins de Medeiros Júnior, Vitoria Dias Medeiros diz ter ficado espantada ao ver a mensagem falsa. “É cada uma. Meu pai tomou a vacina há meses”, diz ela. De acordo com Vitória, Medeiros Junior não teve nenhum efeito adverso relacionado à vacinação nem tinha qualquer problema de saúde. “Nada, nada”.

Ainda sob o impacto da morte do pai, no dia do velório dele, ela diz que queria, inclusive, saber quem foi que disseminou tal ‘fake news’. “Quero falar com essa pessoinha agora”.

Leonardo Weissmann, médico infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, afirma que “é uma grande besteira essa relação que está sendo feita”. “Não há descrições de mal súbito com a vacina. Além disso, os efeitos adversos acontecem em até 6 semanas depois que a pessoa se imunizou, não depois de meses”, diz.

Mestre em imunologia pela Universidade de São Paulo, doutora em biociências e fisiopatologia pela Universidade Estadual de Maringá e professora titular na Universidade Paulista, Letícia Sarturi deixa claro que a relação alegada na mensagem falsa não existe.

“Primeiro, não têm sido relatados casos de mal súbito após a vacinação, dias após a vacinação, muito menos meses após a vacinação. Porque meses após a vacinação a gente não tem os efeitos inflamatórios da ativação da resposta imune que podem resultar em problemas cardiovasculares. Então, considerando isso, não tem como associar a vacinação a mal súbito. Essa é a primeira coisa”, afirma.

Ela explica que têm sido associados a vacina problemas cardiovasculares, miocardite e periocardite, mas que são eventos muito raros, processos inflamatórios que podem acontecer muito dificilmente em decorrência de vacinação.

“Esses problemas cardiovasculares são muito mais comuns por outros problemas do que por vacinação. Inclusive o que foi relatado, por exemplo, em adolescentes, de que eles estavam tendo miocardite por causa da vacinação, eram eventos muito raros considerando o grande número de adolescentes vacinados pelo mundo até então. E a própria Covid ou outras infecções virais podem provocar problemas cardiovasculares com muito mais chance. A chance é muito maior de provocar problemas cardiovasculares do que a própria vacina. Então a vacinação continua sendo o método mais seguro pra você prevenir doenças”, explica.

Sarturi frisa que “problemas relacionados a mal súbito que podem ser decorrentes de problemas cardiovasculares não têm como estar associados à vacinação até porque não há relatos desses problemas”.

Além disso, acrescenta que meses após a vacinação a resposta imune forma as células de memória, forma uma imunidade duradoura para que a pessoa responda futuramente ao vírus. “Ela não gera um processo inflamatório intenso do começo do período pós-vacinação, dos primeiros 15 dias pós-vacinação, porque esse processo inflamatório intenso se acalma gerando aquelas células de memória que vão responder caso a pessoa venha a ter contato com o vírus. Então a pessoa não vai ter um ambiente no organismo recheado de moléculas pró-inflamatórias que podem alterar as funções cardiovasculares”, diz.

“Meses após a vacinação não tem como ter essa relação. Isso caso tenha realmente ocorrido um mal súbito”, conclui.

Fonte: G1





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