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    Melhora da pandemia deve gerar impactos distintos em empresas de saúde na bolsa


    O arrefecimento da pandemia no Brasil em 2022 deve trazer diferentes reflexos para as empresas do setor de saúde listadas na bolsa de valores brasileira, a B3. É o que apontam analistas consultados pelo InvestNews, mesmo considerando que parte destas companhias já tenham apresentado retomada no desempenho de suas ações no primeiro trimestre de 2022, após as quedas registradas no mesmo período do ano passado.

    Apesar dos receios no início do ano quanto aos possíveis impactos da variante ômicron do novo coronavírus no país, o avanço da vacinação vem apontando reduções nos números de mortes e de casos da doença. Com essa melhora, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, assinou a portaria de encerramento da emergência de saúde pública de interesse nacional da pandemia da covid-19 no último dia 22.

    Em meio a este momento mais
    favorável em relação à doença no país, Ricardo Borges, sócio e analista de
    ações da SFA Investimentos, alerta que esse cenário traz diferentes implicações no
    curto prazo para as empresas que atuam no setor na bolsa de valores brasileira.

    “Neste cenário, as operadoras e seguradoras devem se beneficiar no curto prazo, com redução dos sinistros cobertos por elas, caminhando para uma normalidade de frequência. Por outro lado, no curto prazo, os prestadores, como laboratórios e hospitais, que viram seus resultados se beneficiarem pelo aumento de frequência e consequente diluição de seus custos fixos, devem ter impactos negativos em seus resultados”, diz o analista de ações da SFA Investimentos.

    Regis Chinchila, analista da Terra Investimentos, destaca que, apesar de um cenário ainda desafiador para empresas do setor de saúde, os sinais de alívio da pandemia no país também podem ser positivos para as redes de farmácias, que tendem a apresentar valorização dos seus ativos no médio prazo com a recuperação das vendas.

    Retomada das
    ações veio para ficar?

    Segundo levantamento da plataforma TC/Economatica, feito a pedido do InvestNews, das 22 empresas do setor de saúde listadas na bolsa brasileira, 10 delas apresentaram recuperação das suas ações no primeiro trimestre de 2022, após desempenhos negativos no mesmo período de 2021.

    Matheus Jaconeli, analista da Nova Futura Investimentos, explica que a melhora do cenário pandêmico foi o principal fator para contribuir positivamente com o desempenho dos ativos no começo deste ano. Segundo o analista, isso se deve à melhora da pressão nas margens das empresas.

    Jaconeli aponta ainda que outro fator positivo foi o forte movimento de fluxo de investidores para bolsa brasileira no começo do ano por causa do diferencial de juros e desconto dos ativos da bolsa brasileira frente aos seus pares globais.

    “Primeiro, o fluxo foi para commodities e bancos. Posteriormente, para outros setores, como saúde, consumo e imobiliário”, diz o analista da Nova Futura Investimentos.

    Borges aponta que é importante destacar que, bem no início do ano, houve a presença da variante ômicron e um surto de Influenza fora de época no país, o que aumentou muito a frequência de pessoas nos prontos-socorros e um repique nas internações ligadas à covid-19.

    Segundo Borges, diante disso, a performance de algumas empresas no primeiro trimestre de 2022 pode estar associada à melhora da pandemia após tais surtos, mas, também, por algumas “alavancas” microeconômicas de cada empresa.

    Ele cita, por exemplo, a Hypera (HYPE3) se beneficiando da incorporação de empresas adquiridas. A fabricante das marcas Rinosoro e Dramin reportou um aumento do lucro no primeiro trimestre,  para R$ 349,5 milhões, alta de 13,6% sobre mesma etapa de 2021.

    Outros exemplos citados por Borges são a Alliar (AALR3), que foi alvo de aquisição a um preço substancialmente maior que o de fechamento do 1º trimestre de 2021; operadoras de saúde como a Hapvida (HAPV3), podendo encontrar um cenário mais benéfico agora, em termos de sinistro, do que no fim do 1º trimestre de 2021.

    Já no caso de Rede D´Or (RDOR3), reforça Borges, no resultado do 4º trimestre de 2021, a companhia teve dificuldade de ocupar sua capacidade de leitos com a redução dos casos de pandemia, o que deve continuar sendo visto no curto prazo.

    De olho
    nos balanços do 1º trimestre de 2022

    A temporada de resultados de janeiro a março deste ano das empresas brasileiras de capital aberto já começou. Para Sidney Lima, analista da Top Gain, a perspectiva para os balanços das empresas do setor de saúde é que elas mantenham uma boa crescente de receita, porém, com a margem podendo ser pressionada devido aos altos custos financeiros, que podem pesar o lucro das empresas.

    Já para Ricardo Borges, sócio e analista de ações da SFA Investimentos, ainda serão observados nos resultados do primeiro trimestre alguns impactos da pandemia de forma diferente nas companhias do setor. Ele lembra, no entanto, que ainda há outros fatores que podem favorecer ou desfavorecer os resultados das companhias, como, por exemplo, a integração de ativos adquiridos.

    “Considerando apenas o efeito da melhora da pandemia, devemos ver uma continuidade da redução de sinistro das operadoras, mas em magnitude modesta, visto a intensidade do uso de prontos-socorros e exames. Laboratórios e hospitais devem ter algum benefício em seus resultados com a ômicron no início do ano”, avalia o sócio e analista de ações da SFA Investimentos.

    Para Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos, os balanços da companhias do setor não devem apresentar bons resultados por ainda haver bastante incertezas, apesar de as ações já terem se recuperado bastante.

    Para o analista da Ouro Preto Investimentos, as operadoras de saúde ainda têm uma taxa de sinistralidade bastante alta, o que acaba afetando principalmente as corretoras de seguros e seguradoras. Já em relação às companhias mais verticalizadas, Komura considera que o impacto deve ser um pouco menor, mas o crescimento orgânico deve ser ainda fraco.

    Já para as empresas de laboratórios, Komura considera que, apesar de ter os impactos da variante ômicron da covid-19 no primeiro trimestre, a quantidade de testes para a detecção de covid-19 reduziu bastante e isso deve prejudicar um pouco os resultados.

    Para os hospitais, por sua vez, o analista da Ouro Preto Investimentos diz que a variante gera consequências mais suaves, com menores internações pela doença, bem como a gravidade e que, dado esse quadro, os ganhos que os hospitais, como Rede D´Or e Mater Dei (MATD3), tiveram com as internações de covid-19 vão ser muito menores, já que a variante ômicron apresentou casos menos complexos.

    Saúde cada vez mais importante para os brasileiros?

    O surgimento da pandemia fez com que aumentasse a preocupação e cuidado do brasileiro com a saúde. De acordo com Índice FinanZero de Empréstimos (IFE), que analisou 6,62 milhões de usuários na base da fintech, em fevereiro deste ano, os pedidos de empréstimo para saúde cresceram mais de 161%.

    Ainda segundo a FinanZero, as solicitações de créditos voltados para a saúde liderou entre as razões de pedidos de empréstimos, ficando na frente de motivos como quitação de dívidas, negócio próprio e investimentos.

    Além disso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida no Brasil subiu para 76,8 anos em 2020. Para os nascidos em 2019, a expectativa era viver, em média, até 76,6 anos. Em cinco anos, a expectativa de vida subiu 1,3 ano, enquanto em dez anos houve um crescimento de 3,3 anos.

    Borges explica que a pandemia catalisou ainda mais a importância do cuidado com a saúde e que o envelhecimento é uma tendência secular e que implica em mais gastos com saúde, que não vêm apenas com o uso maior dos serviços, mas, também, com maiores gastos com medicamentos.

    Em meio a este cenário, o analista aponta que as empresas do setor de saúde tendem a ter impactos de diferentes formas.

    “As operadoras de planos de saúde devem encontrar maior demanda por seus planos, mas, por outro lado, precisam estar atentas que o envelhecimento de suas carteiras deve pressionar seus custos com maior uso de suas redes, próprias ou credenciadas. Já os prestadores devam se beneficiar porque o envelhecimento carrega mais uso e maior frequência de seus serviços. Essa mesma leitura pode ser aplicada para fabricantes de medicamentos e farmácias”, diz o sócio e analista de ações da SFA Investimentos.

    Vale a pena investir em ações de saúde?

    Sidney Lima, analista da Top Gain, considera o setor de saúde bem cíclico e diz que vale um investimento de forma cautelosa, com o investidor lembrando que existem os subsetores dentro do segmento.

    “A cautela fica mais por conta dos planos de saúde, pois ainda presenciamos algumas incertezas, como o que tem sido visto na China. Caso isso ocorra por aqui, tais empresas serão as primeiras a serem impactadas”, avalia o analista.

    Ricardo Borges, sócio e analista de ações da SFA Investimentos, explica que o setor é um dos que se beneficia de tendências seculares e que, por isso, as perspectivas são boas para investimentos de longo prazo. O analista alerta, no entanto, que, diferentemente de alguns anos atrás, hoje, há diferentes empresas que atuam em várias partes da cadeia. Dessa forma, Borges recomenda fazer uma análise minuciosa de cada empresa, desde a gestão das companhias, seu posicionamento em relação aos concorrentes e suas alavancas de valor.

    Matheus Jaconeli, analista da Nova Futura Investimentos, avalia que, no curto prazo, é possível observar algumas “turbulências” no setor por causa da alta de juros no Brasil e no exterior, além da inflação ainda elevada, que também é uma varável que impacta negativamente. Todavia, segundo Jaconeli, a longo prazo, existem boas perspectivas pensando no cenário estrutural para o setor.

    Para o analista da Nova Futura Investimentos, os principais fatores a serem considerados antes de investir em ações do setor de saúde são a melhora no cenário pandêmico no Brasil e as perspectivas quanto ao envelhecimento da população. “Assim, empresas com bons fundamentos ou que estão ampliando sua participação de mercado tendem a ser uma boa alternativa para se posicionar no longo prazo”, sugere Jaconeli.

    Regis Chinchila, analista da Terra Investimentos, aponta que, além do envelhecimento da população, outra tese para novos aportes no setor é que, em 2021, diversas empresas do segmento abriram capital na B3 (B3SA3) e muitas operações de fusões e aquisições no setor foram anunciadas, tendo, assim, empresas bem capitalizadas para garantir um horizonte de boas oportunidades. “Com isso, os fundamentos de médio e longo prazo para o setor permanecem atrativos”, considera Chinchila.

    Para Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos, no geral, grande parte da melhora nas perspectivas para o setor já está precificada nas ações de saúde. Segundo o analista, o que falta apenas para o setor deslanchar é iniciar uma normalização em relação à sinistralidade, no caso das operadoras de planos.

    “Vai ser uma tendência. É lógico que não terá uma virada de chave, não vai ter uma situação específica para os papéis dispararem. Acho que isso vai acontecer ao longo do tempo, conforme vamos monitorando os dados da covid-19 no país. Passados todos estes problemas e a pandemia ficando para trás, os brasileiros vão, sim, buscar mais plano de saúde, dado todo esse cenário que as pessoas estão vendo a importância de ter acesso à saúde”, considera Komura.



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