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    Fed sobe juros nos EUA em 0,5 ponto percentual, maior alta desde 2000


    O Federal Reserve (Fed) anunciou nesta quarta-feira uma alta de 0,5 ponto percentual na taxa de juros nos Estados Unidos, marcando então o maior avanço desde 2000. Com isso, a taxa básica norte-americana passou para uma faixa entre 0,75% e 1% ao ano.

    A decisão já era amplamente esperada pelo mercado, especialmente em meio à subida da inflação nos Estados Unidos para os maiores patamares em 40 anos.

    No comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) destacou que “a inflação permanece elevada, refletindo desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia, preços mais altos de energia e pressões mais amplas sobre os preços”. Citando a guerra na Ucrânia e o aumento de casos de covid-19 na China, o BC dos EUA apontou ainda que “o Comitê está altamente atento aos riscos inflacionários“.

    O Fed também reafirmou seu compromisso de levar a inflação para a meta de 2% ao ano. “Com o adequado fortalecimento da política monetária, o Comitê espera que a inflação volte ao seu objetivo de 2% e o mercado de trabalho continue forte”, diz o comunicado.

    O Fed disse ainda que está “preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado se surgirem riscos que possam impedir o alcance das metas do Comitê”.

    Os mercados têm precificado novos aumentos dos juros nos EUA em 2022 e 2023, incluindo pelo menos mais dois avanços de 0,5 percentual. Também está no radar do mercado a possibilidade de um aumento a um ritmo mais acelerado do que se esperava em março.

    Repercussão

    Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, comentou mais cedo que “o Fed, que precisa debelar uma inflação acima de todos os parâmetros projetados pelo comitê e tentar agora ancorar as expectativas para o próximo ano“.

    Após a divulgação do comunicado do FOMC, Roberto Coutinho, gestor de fundos e fundador da Escola da Fortuna, disse que “é importante ressaltar que, apesar da inflação americana estar no patamar mais alto desde 1982, acumulando 8,5% nos últimos 12 meses, os EUA podem entrar em recessão em 2022.”

    “À medida que as empresas americanas estão liberando os resultados do primeiro trimestre, já é possível perceber que grande parte delas está apresentando forte desaceleração, bem como um descontrole nos custos operacionais causados pela alta inflação. Dessa forma, passa a ser muito perigoso se o Fed elevar a taxa de juros rápido demais no intuito de controlar a inflação, e ao mesmo tempo ter que sofrer as consequências de uma desaceleração econômica ainda mais intensa”, avalia Coutinho. “É preciso bastante cautela com essa elevação.”

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